domingo, 12 de julho de 2009

Sabe aquele papo nas escolas e na tv sobre todos termos que ter voz ativa, sobre falarmos o que a gente realmente pensa? É tudo papo furado, ninguém tá realmente interessado em ouvir o que você tá pensando.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O sobrevivente

Em algum momento eu precisava falar desse cara - um pianista polaco com ascendência judaica que ficou mais conhecido por ter sobrevivido à Segunda Guerra Mundial do que pela sua brilhante musicalidade. Wladyslaw Szpilman nasceu em 1911 e se tornou mundialmente conhecido em 2002, quando Roman Polanski (um dos meus diretores de cinema favorito) realizou um filme baseado no livro O Pianista, publicado em 1998. Na verdade, o livro havia sido escrito e publicado em 1945, pouco depois do fim da guerra, mas foi fortemente censurado, voltando às livrarias muitos anos depois. O filme é ótimo e deu o Oscar para Adrien Brody, que interpretou muitíssimo bem o próprio Szpilman. Mas nada se compara às declarações diretas de quem viveu os fatos. O livro é uma obra-prima! Eu li e recomendo. Adiantando a história pra quem não conhece, o pianista conta como Varsóvia, cidade natal de Szpilman, sucumbiu aos horrores da guerra. Fala sobre o gueto onde viveu e a sua batalha para refugiar-se onde não pudesse ser encontrado e assassinado pelos vilões nazistas. Infelizmente, o pianista faleceu em 2000, antes do filme ser realizado. A história de vida desse homem é realmente incrível, ele se tornou um herói pra mim, um verdadeiro exemplo de resistência e esperança.

Maaaany reasons

Taquí a letra da música do videozinho ultra mega caseiro que eu fiz nesse dia 8 de julho.

Many reasons

I got so many reasons to feel blue
And I dont have tears anymore
All I need is your shoulder
And a little bit of your love

I got so many reasons to feel good
And one of them, babe, is you!
And when you feel lonely
I'll be quick on the road that lead me
to you

Let's watch the sunset on a mountain high
Let's watch the wind blows through the trees tonight
Let's tell the world the love we have inside
Let's face our fears so we'll never have to hide

terça-feira, 7 de julho de 2009

Apenas um humano

Poisé, chorei litros com a cerimônia de homenagem a Michael Jackson. Tenho todo o carão de admitir. Sabe, nunca fui daquele tipo de fã que colecionou fotos e discos de MJ. Claro, eu sabia as letras, via os clipes ocasionalmente e meu celular tinha como toque Don't stop till you get enough há algum tempo. Pop music não é exatamente meu tipo de música, mas quem resiste a Michael Jackson? É de se admitir que o cara era um gênio e jamais haverá outro igual à ele. A cerimônia não chegou nem perto de ser um circo, como todos esperavam. Foi um velório como qualquer outro, com a excessão da grandeza do evento. Estão todos falando que MJ de repente virou um santo após o velório e o que não falta é babaca pra falar mal, chamar de racista, homossexual e comedor de criancinhas um cara que tanto bem fez pras pessoas, não só divertindo através da música, mas também, ajudando em causas humanitárias. Nunca acreditei na tal estorinha pra boi dormir da pedofilia, e dia após dia essa acusação perde a credibilidade. O tal do Jordan Chandler, garoto que o acusou, já desmentiu o fato. Admitiu ter sido forçado pelo pai a mentir. Não me canso de falar, porque parece que muitas pessoas não se cansam de ofendê-lo. MJ foi perseguido e ridicularizado durante toda sua vida por um bando de idiotas que não sabem nem onde estão fundamentadas as acusações contra ele. Faço das palavras do irmão de Michael, Marlon, as minhas:"Quem sabe agora, eles não te deixam em paz!".
- Fik dik: http://www.youtube.com/watch?v=mJtzINieAHY

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O pedreiro do chapéu-coco

Qualquer assunto que envolva música é algo que realmente tem a ver comigo. Quando se trata de música nacional então, me derreto. Sou apaixonada pelos velhos sambas de raíz e pela serenidade das bossas.
Do morro da Mangueira surgiu o samba que se popularizou nos anos 30, vindo do moço que aos 15 anos de idade abandonou os estudos para se tornar pedreiro e ingressar no mundo da boemia, da malandragem e do samba. O rapaz, que se chamava Agenor de Oliveira, trabalhava sob o sol constantemente, e para se proteger, usava um chapéu-coco, que foi o motivo para os colegas lhe apelidarem de Cartola. Junto com os amigos sambistas fundou a Estação Primeira da Mangueira, que ganhou as cores verde-rosa por escolha do próprio Cartola. Após alguns anos, o sambista desapareceu, levando algumas pessoas a acreditarem que já estava morto. Anos mais tarde, o jornalista Sérgio Porto encontrou Cartola em Ipanema lavando carros e o colocou novamente no cenário musical. Da Mangueira, o velho malandro mudou-se para Jacarepaguá, onde viveu até sua morte em 1980. O garoto pobre nascido no Catete, aprendeu a tocar sozinho e se tornou uma lenda da música brasileira. De suas obras geniais, deixo aqui seu triste samba, O mundo é um moinho.

domingo, 5 de julho de 2009

A morte completa o mito

Cheguei de não sei onde e entrei pela porta da cozinha, quando minha mãe gritou da sala: "Tenho uma bomba!". Minha irmã correu pra me encontrar ainda lá. Ansiosa, não esperou minha mãe contar: "Michael Jackson morreu". Comecei a rir. "Ah, nem vem! Michael Jackson é imorrível*!", brinquei. Fui pra sala e os noticiários confirmaram o fato. Fiquei estupefata, claro. Como pra muitas pessoas, Michael Jackson foi uma figura marcante na minha vida. Me lembro de quando criança escutar a black or white constantemente, me recordo de ficar confusa ao descobrir que o rapaz branco havia sido uma criança negra, e claro, me lembro do meu pai brincando de fazer moonwalk, imitando-o. Michael sempre foi inspirador! Grande músico, grande dançarino, um grande cara! Michael em suas atuações na tv e nos shows sempre me lembrou de outro homem grande: Charles Chaplin. Fugindo de mais comparações, Jackson foi uma criança prodígio que acabou se transformando no lendário Rei do Pop. Vendeu mais de 750 milhões de discos (mais que qualquer outro artista), ganhou o total de 25 grammys em toda sua carreira, entrou duas vezes pro Rock and Roll Hall of Fame e deu as caras oito vezes no Guiness Book, sendo uma delas por maior contribuição pra caridade já feita no mundo. Entre elas, Michael uniu artistas que jamais pisariam num mesmo solo pra erguer fundos pra combater a fome na África, doou seu cachê do comercial da Pepsi, estimado em 1,5 milhões de dólares pra ajudar crianças com queimaduras e muitas outras coisas. Excêntrico e problemático, Michael Jackson causava polêmica em tudo que fazia. Foi rotulado de homossexual, anti-semita, racista, pedófilo e sabe lá Deus o quê mais! Suas músicas são verdadeiros desabafos, no qual nos mostram claramente que ele já estava de saco cheio disso tudo. Todos queriam sempre um pedaço dele, e foi de pedaço em pedaço que sua vida acabou se esvaindo. Mas como disse algum sábio por aí - A morte completa o mito! Michael está bem agora, longe de todas as acusações e das maldades do qual foi vítima. Nós é quem perdemos um cara incrível, um artista completo. R.I.P MJ!

*Neologismo irônico para imortal.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Inventei que era Luísa

Certa noite, eu estava sentado ao lado do meu avô, que lia ao jornal do dia no sofá.
-Vovô, como você soube que realmente amava vovó?
Ele olhou surpreso pra mim como se estivesse sí perguntando daonde aquilo havia saído.
-Eu nunca soube! Ele respondeu para o meu espanto.
-Mas...mas...se o senhor que é casado com ela há tanto tempo e não sabe, acho que o amor não existe, na verdade! Respondi frustrado.
Vovô calou-se pensativo por alguns segundos, depois continuou.
-Houve uma vez quando eu era menino e voltava do colégio. Eu ia em direção ao metro em São José quando a vi. Não, não era sua avó, era outra mulher. Ela tinha uma beleza, que de tanta ia deixando sobras no caminho, e tudo que ia ficando para trás se tornava belo... as ruas, a calçada, as casas com suas portas e janelas e até mesmo os transeuntes distraídos eram contagiados pela beleza dela. Sua pele tinha aquela mesma essência pura e pecaminosa das maçãs. Ao passar, perguntou-me as horas. Sua voz voz era um ressoar de passarinhos, rouxinóis pela manhã. Por azar, eu havia me esquecido do relógio naquele dia. Pedi desculpas e disse que não tinha horas. Ela agradeceu e sorriu, depois foi embora. Como eu nunca soube seu nome, inventei que era Luísa. Nos dias seguintes, no entanto, não me esqueci de usar o relógio um dia sequer, precavendo-me para um eventual reencontro, mas nunca mais vi Luísa. Porém, todos os dias quando coloco meu relógio pela manhã, recordo-me de Luísa, lembro-me que o amor existiu algum dia e andou por aí, perto de mim, nas ruas.